DOOM: The Dark Ages — Brutalidade Refinada em Nova Era

Uma reinvenção ousada que honra o passado e dita o futuro dos jogos de ação.

“Joguei DOOM Eternal com tanta paixão que tatuei na pele. E, ainda assim, DOOM: The Dark Ages superou minhas expectativas.”

Poucas franquias conseguem evoluir sem trair sua essência. Menos ainda conseguem fazer isso duas vezes seguidas. DOOM: The Dark Ages é uma exceção rara: um jogo que quebra padrões, reinventa mecânicas e, mesmo assim, entrega tudo o que esperamos de DOOM — carnificina catártica, desafio frenético e poder canalizado em cada disparo.


Um novo Slayer para uma nova era

Se em Eternal o Slayer era uma máquina veloz de destruição, agora ele é outra coisa: um tanque de guerra ambulante, pesado, impiedoso e imponente. Cada passo ecoa como o martelo de uma divindade condenando seus inimigos.

A agilidade dá lugar ao impacto, e o design de combate acompanha esse novo ritmo com precisão. Não se trata mais de dançar entre balas, mas de dominar o campo de batalha com autoridade absoluta.

As mudanças na jogabilidade são profundas e certeiras. O arsenal foi redesenhado, as habilidades ganharam novas camadas e o ritmo do jogo alterna entre seções lineares claustrofóbicas e áreas semiabertas que incentivam exploração e improviso. DOOM agora respira novos ritmos — e respira com potência.


Arsenal: brutalidade com peso e propósito

As armas seguem a filosofia do novo Slayer: pesadas, brutais e satisfatórias. Cada disparo tem peso físico, e cada impacto, consequência. O clássico Super Shotgun ainda reina, mas ganha companhia de armamentos medievais com toque futurista.

O canhão arcano, por exemplo, mistura tecnologia demoníaca com magia do caos, criando um espetáculo visual e tático. Já o aríete de punho transforma o combate corpo a corpo em algo próximo de um ritual de execução.

Nada aqui é gratuito — cada arma tem propósito, presença e personalidade.


Escudo, parry e o domínio do ritmo

Uma das maiores novidades é o escudo retrátil acoplado ao braço do Slayer. Mais do que defesa, ele introduz uma nova dimensão ao combate com a mecânica de parry — sim, agora é possível aparar ataques com precisão temporal.

Você pode rebater projéteis, abrir brechas em inimigos pesados e criar oportunidades devastadoras de contra-ataque. Executar um parry no momento certo não é apenas satisfatório — é essencial nos níveis mais altos.

O escudo virou uma arma tática e psicológica. O Slayer não apenas sobrevive — ele dita as regras do jogo.


Elementos de RPG: DOOM ousa com inteligência

Pela primeira vez, DOOM incorpora elementos de RPG de maneira natural e estratégica. Agora é possível realizar upgrades em armas, desbloquear habilidades ativas e passivas, e até montar configurações de combate que favorecem diferentes estilos: mais agressivo, mais defensivo, mais técnico.

Esses elementos não descaracterizam o jogo. Pelo contrário, adicionam profundidade e planejamento real. Suas escolhas importam — e DOOM nunca exigiu tanta reflexão sem perder sua identidade.


Narrativa: o peso da lenda

The Dark Ages entrega a melhor narrativa da franquia até agora. Há personagens marcantes, cutscenes relevantes e uma progressão bem equilibrada entre ação e contexto.

Ainda é DOOM — violento, estilizado, frenético — mas agora há motivação, mitologia e significado. E tudo isso sem comprometer o ritmo da jogabilidade.


Visual e performance: um espetáculo técnico

Visualmente, o jogo impressiona. A direção de arte mistura elementos góticos, medievais e tecnológicos com coerência e impacto. É o tipo de jogo em que você para para admirar o cenário — e logo depois volta a esmagar demônios com seu escudo-lâmina.

E o desempenho é exemplar. Frames estáveis, carregamentos mínimos, fluidez total. Em um cenário onde muitos lançamentos chegam quebrados, DOOM mostra como se faz.

Disponível para Xbox Series X|S, PlayStation 5 e PC, o jogo é um exemplo de otimização e respeito ao tempo do jogador.


Trilha sonora: poderosa, mas sob uma sombra longa

A trilha sonora é intensa, marcante e cumpre bem seu papel. No entanto, a ausência de Mick Gordon — responsável pela trilha lendária de Eternal — é sentida. A nova trilha funciona, mas ainda não atinge aquele mesmo nível de impacto imediato.

Mesmo assim, nos momentos mais insanos, quando o céu desaba e o inferno se abre, a música cumpre sua função: impulsionar o jogador e amplificar o caos.


Mechas, demônios e dragões

Se você achava que DOOM não podia surpreender mais, The Dark Ages eleva tudo ao épico. Você pilota um mecha colosso em batalhas contra entidades demoníacas, voa montado em um dragão tecnológico e enfrenta criaturas que parecem saídas de um pesadelo medieval-cyber.

Essa alternância de escalas — do combate corpo a corpo à destruição colossal — mantém o jogo fresco, variado e eletrizante.


Veredito

DOOM: The Dark Ages é um marco. Um jogo que evolui sem perder a alma, respeita Eternal, mas ousa seguir por outro caminho — e, em muitos pontos, o supera.

É brutal, elegante, explosivo e ambicioso. No meu caso, é pessoal. Esse jogo não apenas cumpriu o hype — ele foi além. E o mais inacreditável? Joguei no lançamento via Game Pass.

Mesmo depois de anos de serviço, o Game Pass ainda surpreende. DOOM: The Dark Ages é um jogo de alto calibre, entregue de forma acessível como se fosse rotina. É surreal. E é revolucionário.

Se DOOM Eternal foi a tatuagem, The Dark Ages é a cicatriz.

E eu não poderia estar mais satisfeito em carregá-la.

Dito isso, encerramos nossa análise. Até a próxima crítica pessoal!

Esperamos que tenha gostado!

Essa análise é uma opinião do autor: Nashi

Editor de texto: Gian Lucca (Player Fox)

DOOM: The Dark Ages

DOOM: The Dark Ages marca uma mudança significativa no ritmo da franquia. Abandonando a velocidade frenética de Eternal, o novo jogo aposta em um combate mais pesado, metódico e brutal. O Slayer agora é menos ágil, mas mais imponente, e isso se reflete em todas as mecânicas do jogo, como o uso de escudo, parry e armas com impacto real. A inclusão de elementos leves de RPG e uma narrativa mais presente ampliam a profundidade da experiência, sem comprometer a identidade da série. A direção de arte é um dos pontos altos: mistura o gótico, o medieval e o tecnológico com estilo. Além disso, a performance técnica é excelente — sem bugs, com tempos de carregamento rápidos e ótimo desempenho em todas as plataformas. A trilha sonora, embora competente, não atinge o mesmo impacto imediato da obra anterior de Mick Gordon, o que pode ser uma pequena decepção para fãs mais exigentes. Ainda assim, The Dark Ages entrega uma campanha variada, memorável e cheia de momentos épicos.

9.5
  • Combate renovado com foco em impacto e estratégia
  • Parry e escudo adicionam profundidade e ritmo ao gameplay
  • Arsenal variado e com design criativo
  • Narrativa mais desenvolvida, com mitologia própria
  • Visual impressionante com direção de arte marcante
  • Excelente otimização e estabilidade técnica
  • Ausência de Mick Gordon
  • Trilha sonora competente, mas sem o mesmo impacto de Eternal
  • Mudança no ritmo pode frustrar fãs da agilidade extrema